Como funciona a tração traseira do MG4 — e por que ela muda tudo na curva
O MG4 usa tração traseira (RWD) em vez de dianteira — uma escolha técnica que melhora a dinâmica de condução, distribui melhor o peso e entrega mais diversão ao volante sem comprometer a autonomia.

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Quando a MG Motor apresentou o MG4 no Brasil, um detalhe técnico chamou atenção de quem acompanha o mercado: tração traseira. Em um segmento dominado por elétricos com motor dianteiro — BYD Dolphin, Geely EX5, Leapmotor C10, GAC Aion ES — o MG4 escolheu colocar o motor no eixo de trás. Essa não é uma decisão por acaso. É uma escolha de engenharia com consequências reais para quem vai dirigir o carro todo dia.
A maioria dos elétricos usa tração dianteira — por quê?
Colocar o motor no eixo dianteiro é mais simples e barato: o motor fica perto das rodas que já são responsáveis por guiar o carro. Não precisa de cardã, a transmissão é mais curta e o custo de fabricação cai. Para carros populares focados em eficiência urbana, faz todo sentido.
O problema aparece quando você acelera com força ou faz uma curva rápida. Com o motor na frente empurrando e as mesmas rodas tentando guiar o carro, surge o subesterçamento — o fenômeno em que a dianteira "escapa" para fora da curva mesmo que o volante esteja girado. Você já deve ter sentido isso em carros comuns quando pisa fundo numa curva molhada.
Como funciona o motor traseiro do MG4
No MG4 Luxury, o motor elétrico de 204 cv e 350 Nm fica posicionado no eixo traseiro, acoplado diretamente às rodas de trás por um redutor de engrenagens de marcha única. A bateria de 64 kWh fica no assoalho, distribuída entre os dois eixos. Isso cria uma distribuição de peso muito próxima de 50:50 entre frente e traseira — o ideal para qualquer carro que queira se comportar bem em curvas.
As rodas dianteiras fazem apenas uma função: guiar o carro. As traseiras fazem apenas outra: propulsionar. Cada eixo com seu papel bem definido é a receita clássica dos carros de alto desempenho — BMW Série 3, Porsche 911, todos os carros esportivos de referência usam esse conceito.
O que muda na prática para quem dirige
A diferença é perceptível já nos primeiros minutos ao volante. Algumas situações onde a tração traseira do MG4 faz diferença real:
1. Saída de semáforo em piso molhado
Com tração dianteira, pisar fundo num semáforo molhado faz as rodas dianteiras patinarem e o carro "serpentear" levemente. Com o MG4, o torque vai para as rodas traseiras e a dianteira mantém total controle direcional — a saída é limpa e estável mesmo com 350 Nm disponíveis instantaneamente.
2. Curvas em velocidade moderada
O MG4 entra em curva com neutralidade: o carro segue a trajetória que você pediu com o volante, sem precisar corrigir para dentro. Avaliações da CNN Brasil e do Autoshow descrevem a direção do MG4 como "lembrando mais modelos alemães do que chineses" — exatamente por esse comportamento mais previsível.
3. Frenagem regenerativa
Quando o MG4 abranda usando o motor como gerador (frenagem regenerativa), o freio acontece nas rodas traseiras. Isso é diferente dos elétricos dianteiros, onde a regeneração desacelera a frente. No MG4, a sensação é mais suave e linear — como um freio-motor convencional.
Tem alguma desvantagem?
Sim. Tração traseira tem um ponto fraco clássico: em piso muito escorregadio com aceleração excessiva, as rodas traseiras podem perder aderência. Em carros a combustão isso é o "derrapagem" dos esportivos. No MG4 o sistema de controle de tração (TCS) intervém rapidamente, mas o comportamento é diferente do que em carros de tração dianteira.
Para 99% do uso cotidiano no Brasil — asfalto molhado, saídas de curva, estradas — isso não é problema. Mas quem mora em regiões com muita terra ou lama vai perceber que a tração traseira traciona menos nessas condições do que uma dianteira.
Por que a Leapmotor também escolheu tração traseira no B10?
Não é coincidência: o Leapmotor B10, lançado no mesmo período, também usa motor traseiro com distribuição 50:50. A Stellantis, que controla a Leapmotor fora da China, influenciou esse acerto de suspensão e dinâmica com base nos padrões europeus do grupo — Peugeot, Alfa Romeo e Fiat todos têm DNA dinâmico que prioriza equilíbrio.
A tendência é clara: os elétricos que querem competir com carros europeus de referência estão migrando para tração traseira. Os que competem em preço e praticidade continuam com dianteira. O MG4 e o B10 escolheram o primeiro caminho — e o resultado é um comportamento de condução que justifica o preço acima dos concorrentes de tração dianteira.
Resumo: tração dianteira vs traseira em elétricos
| Característica | Tração Dianteira | Tração Traseira (MG4/B10) |
|---|---|---|
| Comportamento em curvas | Tende ao subesterçamento | Neutro e previsível |
| Saída de semáforo molhado | Rodas podem patinar | Dianteira livre para guiar |
| Piso de terra/lama | Melhor aderência | Pode escorregar mais |
| Custo de fabricação | Mais barato | Levemente mais caro |
| Distribuição de peso | Mais peso na frente | Próximo de 50:50 |
| Exemplos no Brasil | Dolphin, EX5, Kwid, Aion ES | MG4, Leapmotor B10, EX30 |
Perguntas frequentes sobre a tração traseira do MG4
Por que o MG4 usa tração traseira em vez de dianteira?
A maioria dos elétricos compactos usa tração dianteira por simplificar a engenharia (motor próximo ao câmbio convencional). O MG4 foi projetado do zero como elétrico na plataforma MSP, permitindo colocar o motor no eixo traseiro — onde o torque elétrico instantâneo melhora a tração na saída e a distribuição de peso fica próxima de 50:50.
A tração traseira do MG4 é melhor que a dianteira?
Em termos de dinâmica de condução, sim: a tração traseira oferece maior equilíbrio em curvas, aceleração mais linear e sensação de direção mais esportiva. Em piso molhado, porém, pode ser mais sensível a escorregamentos que a tração dianteira — mas o controle eletrônico de estabilidade do MG4 compensa bem essa característica.
O MG4 com tração traseira tem bom desempenho no Brasil?
Sim. O MG4 Standard entrega 170 cv e acelera de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos — desempenho esportivo para um compacto. A versão Luxury adiciona 204 cv e chega a 100 km/h em 7,0 segundos. Ambas as versões têm tração traseira de série no Brasil.
A tração traseira afeta a autonomia do MG4?
Minimamente. A eficiência do motor traseiro do MG4 é alta o suficiente para não comprometer a autonomia significativamente versus uma configuração dianteira equivalente. O modelo oferece até 350 km (WLTP) na versão Standard e até 435 km na versão Luxury com bateria de 77 kWh.
O MG4 tem opção de tração integral (AWD)?
No Brasil, o MG4 é vendido apenas nas versões de tração traseira (RWD). A versão AWD com dois motores (disponível em alguns mercados internacionais) não tem previsão de chegada ao mercado brasileiro. Para quem precisa de tração integral, o BYD Sealion 7 e o Volvo EX40 são alternativas disponíveis.